A arte Kintsukuroi em nossas vidas
Por Camila Thomazelli

Ao longo de minha vida, até agora, tive uma boa parcela de erros, fracassos, perdas... E por muitas vezes me enxerguei como uma pessoa quebrada, sem jeito. Hoje, com um pouco mais de maturidade e depois de muitas sessões de autoconhecimento e cura, percebo tudo isso de uma forma especial: graças a essas experiências, também, sou quem sou neste momento.
Cada experiência que considerei como um fracasso me trouxe enormes aprendizados e também recalculou minha rota. Cada movimento desses me lapidou de certa forma e hoje acolho essas memórias com muita gratidão. Você passou por isso?
Recentemente me deparei novamente com a analogia trazida pela arte milenar japonesa de kintsugi ou kintsukuroi, que consiste em reparar cerâmica fragmentada com laca e pó de ouro. Trazendo para a nossa vida, seria o equivalente a juntar nossos cacos, unir as partes feridas de nós com amor e transformar em algo único e belo. Ao invés de esconder, ignorar ou eliminar essas partes, as ressignificamos.
Com o apoio apropriado, podemos escolher viver a oportunidade de olhar para todos esses fragmentos de nossa jornada com compaixão, fazer os reparos necessários e possíveis, ressignificar com resiliência e olhar sistêmico e, então, incluir em nossa caixinha de ferramentas e em nossa personalidade com um novo propósito - o de criar novas possibilidades com gratidão e leveza e não mais com dor e lamento.
Igualmente podemos levar esta analogia para nossos negócios e carreiras, já que esses são reflexos de quem somos e têm, de certa forma, vida (a palavra organização está associada a organismo). Se olharmos para nossos erros e fracassos com compaixão e de forma sistêmica, e estivermos dispostos a fazer o que se requer para corrigir a rota, com certeza poderemos construir algo de mais valor e com mais potência.
Muitos de nós nos sentimos mal, desanimamos e algumas vezes até desistimos de nossos sonhos, porque nos identificamos com os erros que cometemos ou com os resultados desalinhados com as nossas expectativas. O jogo da vida e dos negócios é um jogo de longo prazo que requer paciência, resiliência, consciência e paixão. Dentro das regras, sempre temos as nossas escolhas e são elas que determinam a jornada. Logo a chave é o quão presentes, conscientes, comprometidos e dispostos estamos em relação ao nosso sucesso (seja lá o que isso for para cada um de nós).
Tudo isso é mais desafiador se for realizado de forma solitária. Contar com apoio ao longo da jornada é fundamental, afinal, como seres sociais precisamos uns dos outros em vários momentos. Se abrir a receber esse apoio nos permite ir além das nossas limitações e rachaduras. Nos permite ver o ouro que há em nós.
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Eu vejo você!